domingo, 7 de novembro de 2010

Devaneios

Como quem se despede do dia
veste-me deusa
Usa-me para tudo que de mim achares princípio
Tira-me a vida, abandona-me nesse frio.

Sinto por dentre às tuas vestes
Esse calor, esse pudor reprimido
Eis o desalento de viver
Falso turbante embalsamado. 

Expõe essa relva que abita o nós
Esse sol, água dos mares
E a prosa, e o toco, e o traço
Orvalho debutante à espera do sino.

Sultilidade eloquente, âncora do teu cais
Amarga por inteiro
Toda a objeção que prosseguir
Sendo essa, semente dos céus.

Natália Vasconcelos

domingo, 31 de outubro de 2010

Apesar de Você

   Vem. Senta aqui e esfria um pouco a cabeça. Tem charuto Cohiba Behike em cima da mesa e a bebida também está lá, sirva-se à vontade. Tire um pouco esse carma, esse gosto de fel das mãos, desarruma esse cabelo, tira o nó da gravata, desaba! -Tá escutando a música? "Tristeza não tem fim. Felicidade sim". Ah! Tom&Vinicíus! Cante comigo esse prazer!
   Deixa eu te dizer: Há tempos te via lá fora assim quieto, manso, igual a criança em campo de concentração, clamando por vida. Tentando entrar algumas vezes, eu bem o lembro. Reneguei-o sempre, se soubesse quantas provas me traria.
   Rasga essa cara molhada, insulta essa alma podre e insana! Não venha me dizer que tens alguma utilidade, pois só enxergo essa face pálida fria, sem reflexo, corpo refratado, insigne e torpe! Diz-me impacientemente por que veio, anuncia-me ao teu relento. Extrava essa missão, essa fissura, desarma! Bebe, bebe mais. Não é isso que te dá vida? Nem sabes tu o que é liberdade, pois a cada passo impensado refuta esse ideário utópico. 
    Tira essa roupa, vem nú, despido de qualquer tensão ou ofensa, de qualquer temor oportuno, fecha os olhos e passa para o lado de lá. Viaja nessa eternidade põe um pé depois o outro, típica corda bamba- o que não deixa de ser, viver é sempre um risco- e pula! Jogue-se, entregue-se ao branco, mas lembra-te no último segundo do meu ego e do meu desejo vil nas madrugadas torturosas.
Vai em paz -se é que conheces isso- e completa a tua antítese no berço divino.




Natália Vasconcelos

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sim, Sou Poeta!

E se amar é sofrer,
Sim, eu amo!
Porque isso é ser poeta.
Isso é sentir o veneno
Do fracasso das palavras.

Se não chego ao óbvio,
É porque isso repugna-me!
Se não posso conter-me,
Por ser isso tão surreal,
Repleto de fagulhas de estacas
Me prendem
Me chamam
Me tentam

Se sofro pelo sangue
Que me escorre
Vestígios na mão e no corpo,
Presente divino,
No peito ficam as marcas
Nascer de todas
Pois sim,
Sou poeta!


 Natalia Vasconcelos


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Teu

E só te de olhar o céu já vem em mim.
Mesmo que de longe assim, quieta, mansa...
Senti que minha presença a tocou,
Sinto que pude transmitir o meu encanto, embora não todo.
Este que há tanto domina meus pensamentos,
E que realmente me causa torpor.
Magie! Outro mundo, outro tempo.
Se é que ele existe, resiste à nossa procura.

Olhar firme de quem sabe o que quer e sabe o que sente.
Prosseguido de uma afeição cabisbaixa,
Como quem quer deixar aquele ponto de interrogação no ar,
Como quem quer mexer, seduzir, confundir.
Ou até mesmo fugir de tudo aquilo: "Aquilo" porque não tem definição,
 E nem sei se sou capaz de tal.
Visto que até mesmo Nietzsche não definia em suas mais brilhantes obras,
Por chamar a definição em si das coisas um "engano do ideal".
Então poderia eu chamar "aquilo" de engano?
Deixa-me viver aos poucos,
Experimentar momento à momento
E crer cegamente.
O fascínio ainda existe, a dúvida ainda persiste
E esse sentimento ainda inibe.


Natália Vasconcelos


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Jardim

É ilusão. Tudo é ilusão.
Somente uma questão de depositar expectativas, fantasias, vontades...- veja o seu despertar
E portanto, qualquer que seja esse meio de externizar o instropecto, frustante.
Não pode ser nada. Não há de ser nada.
É só aquele velho e devasto sentimento de l-o-u-c-u-r-a.
Ponto morto dessa esquizofrenia, ponto vazio.
Linearidade nefasta, continuidade desse ponto-luz, ponto brilhante...
Apenas ponto, ponto que nos uni - use todo tempo necessário.
Foge de mim esse ponto objeto e seu entendimento.
Se for que seja agora e já! Resistente.
Sem demora, sem espera, que torna-se eterno e intenso ou até enquanto nos for favorável.
Mas como? Bastavam-lhes somente aqueles instantes de encanto, procura, atração e.. ilusão
 Tudo é ilusão.

Natália Vasconcelos

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nesses dias

    Falta muito pra eu chegar, fora o tempo que já passou e o tempo que perdi, contando os sinais vermelhos que vou pegar, fora também o trânsito enlouquecedor e a sombra que insiste em  aparecer sempre nesses dias. 
     A chuva que cai. E essa mesma chuva ou essa mesma água que molha ou até mesmo o chão molhado molha. Fora tudo que ainda falta pra assimilar, tudo que tem que ser dito e entendido. Fora o caminho que ainda tenho que achar, pois estou verdadeiramente perdida, andando numa corda fina de um abismo.
     Fora o teu olhar pesado, juntamente com aquele piscar lento, deixando um suspense no ar. Aquele teu andar manso, teu jeito de mexer os cabelos e movimentar docemente os lábios, frescos como a madrugada e insaciáveis como a morte. A forma como encara o chão, como se ele te socorresse, como se ele fosse o único meio de tirar daquela confusão toda. Tentar decifrar-te, em cada gesto.
      Falta o mundo. Ou será que eu falto a ele? in hoc signo vinces!


Natália Vasconcelos

Tudo ao mesmo tempo

E esse vazio nunca me foi tão grande. Mas não é um vazio de perda, pelo contrário, é um vazio de ganho, de alívio, de aceitação. Então por que "vazio"? 
Vazio de saber que agora aquilo teve fim, vazio de não ter mais sonhos, falo de vertigens palpáveis. 
Vazio por não ter aquela certeza ou por ter certeza demais, por sentir uma sensação de confiança nunca vivida nesses quase 3 anos.Vazio por não estar cheia, essa é a verdade. Vazia por não ter mais uma razão para viver ou melhor, por uma razão "de viver". 
Esvaziou o tudo. Esvaziou porque tinha que esvaziar, preencheu porque tinha que preencher, adicionou-se esperança  quando se era hora, mas a roubou no mesmo instante. 
Pensei em ir, pensei em ficar. E continuo aqui... pensando, vazia e só. Não vou dizer nada, não há nada pra ser dito. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

Natália Vasconcelos

terça-feira, 22 de junho de 2010

"- Por você..."

Eu esperei tanto ouvir tua voz do outro lado da linha. Esperei cheio de felicidade ouvir-te dizer que estava morrendo de saudade e que sentiu a minha falta. Esperei, esperei...Mas ao perceber que o silêncio seria a minha única resposta, ah! eu chorei. Chorei como se chora um recém nascido que implora para não ser tirado do seu tão seguro abrigo. Chorei como se chora uma criança com sede e até mais do que quando você se foi pela primeira vez.
Insisti perguntando "é você? responda!" ímpetos de desespero, de delírio. Até que uma voz ressoou dizendo-me "Desculpe, foi engano." e desligou. Eu sabia que era você, eu tinha certeza! Não confundiria aquela voz nem que se passassem mil anos...não, a sua nunca! Arrependi-me de não ter-la dito tudo o que sentia naquele momento, me xinguei e chorei, te xinguei e chorei, disse coisas horríveis, que graças a Deus você não estava ali para ouvir. Espero que entendam a minha aflição. A pessoa que eu amava e que estava a tanto tempo longe, havia voltado, ligado pra mim e eu...eu? Nada fiz! 
Então soltei o telefone e o coloquei no gancho, tomei uma dose de uísque- o mais forte que tinha- acendi um cigarro, fui para a varanda e sentei. A rua parecia calma, poucos carros, poucas pessoas, isso me fez sentir mais angustiado, mais só e culpado: "como pude?". 
Até que um táxi parou e os ruídos de um choro alheio me tomaram a atenção. Era ela! Eu pude ver, eu pude sentir , pude gritar, berrar, mas...ela não me olhou, continuou indiferente e a chorar, chorávamos eu e ela. 
Rapidamente desci e em poucos segundos estava lá. Não foi o suficiente para alcança-la. Eu a vi partir mais uma vez, tinha certeza que dessa vez era para sempre, algo me dizia, os sinais estavam claros, era uma despedida e isso me doía.
E ficamos ali sozinhos. Eu, os carros, a rua, as pessoas e o bilhete.


Natália Vasconcelos

terça-feira, 15 de junho de 2010

Quem?

É tão previsível, inexorável, infame.
Sempre dessa maneira, dessa mesma forma,
Forma (ô), Feio, Face, Fosco.

Chega e vai. Vai e  vem.
Me toma, me machuca,
Me corre, me lambuza,
Leva, Lua, Lenço.

Quando fica... estremece!
De relance me tenta,
Me reinventa, me cura.

Já de partida...
     ...
         ...
             ...


Natália Vasconcelos

Dá-me II

Deixa-me transparente,
Assim estarei segura.
Deixa-me só, trancada, sufocada,
Assim ficarei melhor.
Assim terei motivos pra sorrir.
Tira-me daqui,
Antes que seja tarde.
Tira-te de mim,
Renuncia Obsoleto!

Natália Vasconcelos

Dá-me I

Deixa-me voar, flutuar...preciso inspirar liberdade, enchendo-me os pulmões de aventura, realimentando o meu corpo. Preciso sentir friamente o vento cortante em meu rosto, preciso conhecer a imensidão, eu tenho necessidade de viver!Quero ir de um lado para outro, planando sob as árvores, deslizando no azul.
Quero sair daqui. Pra que fincar os pés no chão? Há tanta vida lá fora, posso ver aqui de cima. E.. e simplesmente rio, é! dou gargalhadas. É interessante ver como eles morrem de fome antes mesmo de receberem o trigo. Em contradição enche-me os olhos ver aquela mulher, de um certa idade, passando todo o ensinamento que um dia lhe foi dado e a filha ali, escutando tudo com atenção e aliviada. Mais apaixonante ainda é ouvi-la dizer: "o amor existe sim!". Pena que eu tenha aprendido isso só aqui.
Eu quero sim ter asas, quero poder ser o líder e emanar o meu bando para o sul, quando no norte for inverno. Quem sabe olhar-te de longe, com fascínio. Admirando-te. E depois viajar...viajar...me livrando daquilo tudo novamente.
Fuga? Ah sim! É a minha única opção, entenda caro leitor... eu preciso voar, eles me chamam.

Natália Vasconcelos

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Disparatado

Seu deleite é breve, seu querer mais breve ainda. O seu capricho é horonso, seu almejo decente. Tua luz fúnebre, o teu choro é falso. Teu sorriso pitoresco, teu calor inefável.
Não sei o que esperar desse mundo devasto ou  muito menos desse teu desdém. A cada dia que passa me esquivo mais dessa tua apatia , talvez por medo, talvez por talvez.
Parece-me estranho. Eu sei quem é, sei porque estou ali, sei o que aquilo representa pra mim, mas falta, não posso reconhecer e se reconheço, aquilo repugna-me.
Mesmo assim, passaria horas olhando aquelas fotos, passaria séculos esperando... mas pra que? porque? e depois? Não tem sentido.
Sentada no ônibus, ligo o rádio, apoio a cabeça no vidro da janela, admiro a paisagem, penso em você. Olho pra um novo passageiro que entra, penso em você. Desço, saio, caminho o pouco - escutando a nossa música- vejo flores com as nossas cores, dou 'boa tarde' a alguém com a cor dos teus olhos e finalmente... sinto a sua falta.
Mas você ainda é você mesmo? É nesse ponto que quero chegar. Na tua essência, bem lá perto da tua alma, perto daquilo que te faz ser, daquilo que te faz sonhar, sorrir, viver. Quero rasgar, quero entrar e fixar-me, num mutualismo divino, nos descobrindo a cada instante.Quero mais! 
Esse tempo não é tão longo assim, eu bem o sei! tens calma  pequeno Coração, a vida não é só isso. 

Natália Vasconcelos


sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sandices

E só de te escutar a minha paz some.
Ver-te contorcida pelo gozo do prazer.
Sentir-te quente, revirando os olhos...

A cada segundo fracionado,
Nossos corpos juntam-se e afastam-se,
Juntamse e a f a s t a m -s e...

A tua boca que desce,
Exatamente nesse instante.
Arrancando-me arrepios subitamente arrependidos...

Explode, óh amor doentil!
Deixa-me viver!
Deixa-se curar todo o mal.
Deixa-me sofrer sozinho,
Somente, apenas, insigne...


Natália Vasconcelos

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu não sei o título

Eu não vou ter um futuro, ou pelo menos não quero ter. Eu não presto, eu não sirvo pra nada, nem mesmo pro perverso, pro infausto, pro fajuto.
Eu tenho preguiça pra tudo, eu não faço nada direito, nada certo. Eu não sei andar, correr, buscar, estender.
Eu tenho medo de tudo. Todos eles me perseguem, nada da certo pra mim. Eu não tenho foco, não tenho qualquer objetivo que seja ou posso até ter, mas caminho de forma adversa a tal. Eu não tenho noção!
Só faço besteira, só falo coisas sem nexo. Não tenho amigos e caso me vejam acompanhada de algum suposto, são apenas pessoas contratadas para a minha diversão cotidiana e que quando intediantes são logo postas pra fora, sem direito a FGTS ou assinatura na Cateira Trabalhista.
Minha vida é um lixo. Não tenho vigor, embora jovem, pra seguir sozinha. Estou sempre triste pelos cantos, pensando em/no lixo. Às vezes alegre, mas logo em seguida triste novamente e se pelo menos todo esse sofrimento e essa angústia servissem pra alguma coisa útil... mas são abstrações que cultivo dentro de mim, dentro dessa estrutura óssea pesada e podre. Então como poderiam ser benéficas ou muito menos expostas? Sinto-me, muitas vezes, a caixa entregue por Zeus à Pandora, segundo a mitologia grega. Tento encontrar a tal esperança que sobrou no razo, mas diante dos males do mundo e da pobreza do minh'alma, eu realmente não encontro.
Só tenho más companhias.Tenho um certa e descarada preferência pelo o que não presta e isso sempre, sempre me despertou um interesse. Choro por quem não mereçe. Trato mal as pessoas que amo. Julgo baseada em pré-conceitos. Faço coisas e digo que não faço. Sou hipócrita, falsa, mentirosa. Não confiem em mim!
Não quero passar muito tempo aqui, não faço questão de me torturar tanto. Daqui a pouco isso acaba, todo o mistério será revelado e ao reino dos céus eu voltarei.

Natália Vasconcelos

segunda-feira, 17 de maio de 2010

À minha Vida.

Porque eu não consigo acalmar essa saudade no meu peito? tirar de vez essa dor que me mata aos poucos, pedacinho por pedacinho, que me consome e não me deixa em paz?
Porque esse amor ainda existe, se ele é somente meu? porque ele renasce a cada dia mais intenso?
Está doendo. Minha pobre alma tenta entender tudo isso, mas as lágrimas que caem agora e escorrem pelo meu rosto representam que tamanho entendimento ainda não foi alcançado.
A dúvida ainda me corroe: Será que ainda pensas em mim no calar da noite? Porque tuas fotos lembram-me tanto "nós"? Será proposital? E se for, por que fazes isso?
Olho pro nada a tua procura e mais um dia eu passo sem você. Será que vou suportar até o fim? Esperanças não faltam! Ainda mais quando ontem você me disse, em sonho, que sentia muito a minha falta e que eu fazia parte sim dos teus pensamentos, logo depois cantarolava alguma musica do Cazuza, uma que eu me lembre começava com a letra P e que seu titulo tinha mais ou menos três palavras...e fora isso, tudo o que eu posso lembrar é do teu sorriso -o soluçar torna-se maior, do teu olho, do teu rosto bem perto do meu, da tua feição que me dizia que tudo estava bem agora, por justamente estarmos ali, lado a lado. Era tudo o que eu mais precisava ouvir! Mas como não passava de um sonho, o mesmo que me faz querer-te junto a mim, a realidade me chamou... com uma voz grossa, rude e me fez vir aqui escrever isto e assim mostrar as todas as almas apaixonadas que sofrem por amor que elas não estão sós e que esse sofrimento estúpido segue eternamente...

Natália Vasconcelos

domingo, 9 de maio de 2010

Reflexos

Ao som de uma melodia triste.
No movimento de um balanço vazio,
Numa tarde de inverno,
Após o óbito declarado da Vida.
Ele sobrevive!

Assim, na madrugada
Fria, escura e sombria...
Ao som da chuva que cai.
E das gotas que ressoam
E ressaltam a sua solidão e a sua fraqueza.
Ele resiste!

Na lágrima do que morre,
Dor de quem chora.
Na morte de quem dói,
Choro de quem lágrima.
Ele existe!

No verde, na luz, no branco.
No pranto que foi transformado em prece.
Nas curvas, nas linhas, no cheiro.
Ele, o meu amor, padece!


Natália Vasconcelos

Décadas atrás...

Eu ainda posso sentir o seu cheiro doce e até mesmo o gosto do seu beijo. É só fechar os olhos que posse te sentir ao meu lado.É estranho, eu sei!A tanto que você se foi e é tão longa e dura a distância que nos separa...mas sempre foi assim, esse unilateralismo sempre fez parte de nós- e afinal, o que seria da nossa história sem ele? - então não tente entender o que escrevo.
Preciso te dizer que ainda lembro, com perfeita simetria, c-a-d-a detalhe da primeira vez em que puder te sentir meu. Falo não no sentido carnal, mas do sentimento que nos envolvia naquele instante...no silêncio de quem sabia o que queria, na respiração de quem desejava, na noite sombria de quem amava, no suor de quem ardia.
Lembro de teu abraço, que continuo a pedir todas as madrugadas, que me dava segurança e supria as necessidades da minha alma.
(...)Você subiu o rosto devagar, bem devagar...e quase que inconscientemente o meu também foi descendo, ambos cedendo a uma só vontade, até então não descoberta.
O meu corpo chamava por você e sentir os teus lábios veludos tornou esse chamado um clamor, um grito de misericórdia:" Entrega-te, assim como eu, à este mundo surreal, à este sonho!". Com a inocência de uma criança e olhar de uma lince ao perceber sua presa, aquele olhar devorador e extremamente sedutor- e que diga-se de passagem não há outro igual no mundo- você me abraçou e em seguida, com a mão direita, acariciou o meu rosto e chegou bem perto, corpo-a-corpo...rosto-a-rosto...boca-a-boca e assim fomos até o amanhecer.
Não posso falar o que sentir, afinal tudo que cala fala mais alto ao coração e eu quero ter aquilo tudo ardendo vivo no meu peito, só pra mim, bem baixinho, bem devagar...meu vício!
Desejo sim, que isso tudo morra junto ao meu espírito e não somente à minha carne, algo tão efêmero.
E que me desculpem a razão, o bom senso, as almas humanas e por isso mundanas, e os descrentes...mas o que seria de mim sem as lembranças, sem teu beijo, sem teu carinho, te abraço, a lua, o escuro, a noite, o calor dos nossos corpos, a tua voz macia, os teus olhos- e que olhos!, o teu sorriso, suas crise, que tanto me faziam rir, sem teu toque, tua presença, sem o nosso "amor", sem você? Eu realmente prefiro não pensar nessa possibilidade e continuar acreditando ser-la impossível de acontecer.

Natália Vasconcelos

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arte Concretista!

poLitica.sucesso.dinheiro.amor.corrupção.sistema.
totalitarIsmo.polícia.guerra.miséria.desigualdade.com amor.
eu&você.seXo.sem amor.tecnologia.noite.dia.homem.mulher.
vida.nuvens.mOrte.educação.violencia.amor?.blá.blá.blá.

Natália Vasconcelos

domingo, 2 de maio de 2010

Arte Concretista!

amor
amor
amor
amor
amor
amor
amor
amor
amor
tédio

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Momentos

Deitou ao meu lado na cama.
Lembrou-me da data, palavras nos faltaram.
Segurou a minha mão e mudou de posição,
De modo que agora pudesse olhar-me diretamente e fixamente.
Só havia nos dois.

Pobre alma apaixonada!
Entregou-se aos desejos carnais,
Aos desejos que a tanto pulsavam no peito,
Que a tanto gritavam por liberdade.

Ah, pobre criança!
Que hoje sofre por um amor não correspondido,
Porém se questiona se será esse mesmo o rumo da sua vida.
Se já não deseja mais,
Se em outros braços está a dormir- o que não quero acreditar
Porque retornas a este amor bandido?
Porque te satisfazes com a loucura do outro?

Oh, anjo divino!
Não me deixes nunca mais,
Ou se queres- assim como o sol
Desfrutar da imensidão do horizonte,
Peço-te, com todo o amor que possa existir nesse mundo
- meu mundo, teu mundo!
Voa e desaparece no céu (...)
Enquanto a vida ainda é possível.

Natália Vasconcelos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

RT@cfernandoabreu

Penso em você apesar de não sentir sua falta e muito menos sua presença. penso em você porque sinto um vazio, que eu não sei do quê (...)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

[..] So much!

Eu queria viver tudo novamente...eu realmente queria! Mas é impossível começar pelo fim, não há lógica ou muito menos qualquer teoria sufista ou reminiscente que torne tal pressuposto verdade.
Queria poder olhar novamente com aquele olhar penetrante- apaga a luz- que fazia meu mundo parar, completava-me...aquecia-me...e viciava o meu ser.
Queria sentir-te (você sei lá quem) em meus braços -novamente?- de uma forma a tornarmos um só corpo, uma só alma...e mesmo que esse instante se resumisse a apenas alguns segundos, teria a certeza que teríamos um ao outro por toda a eternidade.
Tocar-te por todo o corpo, dedilhar minha mão, quase que submissa ao ápice do prazer, pelos fios do teu cabelo, acariciar o teu divino rosto e contemplar concomitantemente a luz entorpecedora dos teus olhos, seguida da doçura dos teus lábios.
Por fim, desejaria- ou desejo! - ouvir tua respiração ofegante bem de perto e sussurrar assim todo o meu amor em forma de poesia no teu ouvido. Seguramente dizer-te que jamais amarei outra pessoa de tal forma, ou que jamais deixaria que tamanho sentimento possa ter um fim. Prometeria o reino dos céus caso quisesse me seguir.
E depois que o tempo passasse e que tua paixão já não me tivesse mais como protagonista, mesmo assim, olharia em teus olhos, de modo que não restassem dúvidas e diria: "por você faria isso mil vezes!" .
Sei que depois disso, como toda historia de amor interessante, você me daria um beijo e partiria. E eu como um círculo vicioso voltaria ao meu ponto de partida: eu queria viver tudo novamente, eu realmente queria.

Natália Vasconcelos.

domingo, 11 de abril de 2010

Arte Concretista!

A Pidona


Ela pede atenção
Eu dou!

Ela pede carinho
Eu dou!

Ela pede presentes
Eu dou!

Ela pede respeito
Eu dou!

Ela pede beijos
Eu dou!

Ela pede sexo
Eu dou!

Ela pede amor
(...)

Ela pede demais!

Arte Concretista!

ela chega em casa tira a roupa entra no boxe liga o chuveiro olha a água cair pensa nele molha os pés pensa nele molha o corpo passa o xampu espera um minuto enxágua o cabelo passa o creme hidratante espera dois minutos enxágua o cabelo passa o sabonete passa o condicionador espera dois minutos enxágua o cabelo enxágua o corpo desliga o chuveiro sai do boxe calça o chinelo pega uma toalha enrola na cabeça pega outra toalha se enxuga veste um roupão vai para o quarto senta em frente ao espelho passa o creme para rugas passa o creme para os seios passa o hidratante para as pernas seca o cabelo prende o cabelo tira o roupão veste a calcinha veste uma blusa deita na cama pega um livro tenta ler desiste pensa em ligar para ele desiste liga a tevê programa para desligar sozinha fecha os olhos pensa nele vira pra um lado pensa nele vira pro outro pensa nele resolve assistir a tevê dorme sonha com ele a televisão desliga

é o que há!
"um dia acontece!" (yn)