Eu ainda posso sentir o seu cheiro doce e até mesmo o gosto do seu beijo. É só fechar os olhos que posse te sentir ao meu lado.É estranho, eu sei!A tanto que você se foi e é tão longa e dura a distância que nos separa...mas sempre foi assim, esse unilateralismo sempre fez parte de nós- e afinal, o que seria da nossa história sem ele? - então não tente entender o que escrevo.
Preciso te dizer que ainda lembro, com perfeita simetria, c-a-d-a detalhe da primeira vez em que puder te sentir meu. Falo não no sentido carnal, mas do sentimento que nos envolvia naquele instante...no silêncio de quem sabia o que queria, na respiração de quem desejava, na noite sombria de quem amava, no suor de quem ardia.
Lembro de teu abraço, que continuo a pedir
todas as madrugadas, que me dava segurança e supria as necessidades da minha alma.
(...)Você subiu o rosto devagar, bem devagar...e quase que inconscientemente o meu também foi descendo, ambos cedendo a uma só vontade, até então não descoberta.
O meu corpo chamava por você e sentir os teus lábios veludos tornou esse chamado um clamor, um grito de misericórdia:" Entrega-te, assim como eu, à este mundo surreal, à este sonho!". Com a inocência de uma criança e olhar de uma lince ao perceber sua presa, aquele olhar devorador e extremamente sedutor- e que diga-se de passagem não há outro igual no mundo- você me abraçou e em seguida, com a mão direita, acariciou o meu rosto e chegou bem perto, corpo-a-corpo...rosto-a-rosto...boca-a-boca e assim fomos até o amanhecer.
Não posso falar o que sentir, afinal
tudo que cala fala mais alto ao coração e eu quero ter aquilo tudo ardendo vivo no meu peito, só pra mim, bem baixinho, bem devagar...meu vício!
Desejo sim, que isso tudo morra junto ao meu espírito e não somente à minha carne, algo tão efêmero.
E que me desculpem a razão, o bom senso, as almas humanas e por isso mundanas, e os descrentes...mas o que seria de mim sem as lembranças, sem teu beijo, sem teu carinho, te abraço, a lua, o escuro, a noite, o calor dos nossos corpos, a tua voz macia, os teus olhos- e que olhos!, o teu sorriso, suas crise, que tanto me faziam rir, sem teu toque, tua presença, sem o nosso "amor", sem você? Eu realmente prefiro não pensar nessa possibilidade e continuar acreditando ser-la impossível de acontecer.
Natália Vasconcelos