Eu esperei tanto ouvir tua voz do outro lado da linha. Esperei cheio de felicidade ouvir-te dizer que estava morrendo de saudade e que sentiu a minha falta. Esperei, esperei...Mas ao perceber que o silêncio seria a minha única resposta, ah! eu chorei. Chorei como se chora um recém nascido que implora para não ser tirado do seu tão seguro abrigo. Chorei como se chora uma criança com sede e até mais do que quando você se foi pela primeira vez.
Insisti perguntando "é você? responda!" ímpetos de desespero, de delírio. Até que uma voz ressoou dizendo-me "Desculpe, foi engano." e desligou. Eu sabia que era você, eu tinha certeza! Não confundiria aquela voz nem que se passassem mil anos...não, a sua nunca! Arrependi-me de não ter-la dito tudo o que sentia naquele momento, me xinguei e chorei, te xinguei e chorei, disse coisas horríveis, que graças a Deus você não estava ali para ouvir. Espero que entendam a minha aflição. A pessoa que eu amava e que estava a tanto tempo longe, havia voltado, ligado pra mim e eu...eu? Nada fiz!
Então soltei o telefone e o coloquei no gancho, tomei uma dose de uísque- o mais forte que tinha- acendi um cigarro, fui para a varanda e sentei. A rua parecia calma, poucos carros, poucas pessoas, isso me fez sentir mais angustiado, mais só e culpado: "como pude?".
Até que um táxi parou e os ruídos de um choro alheio me tomaram a atenção. Era ela! Eu pude ver, eu pude sentir , pude gritar, berrar, mas...ela não me olhou, continuou indiferente e a chorar, chorávamos eu e ela.
Rapidamente desci e em poucos segundos estava lá. Não foi o suficiente para alcança-la. Eu a vi partir mais uma vez, tinha certeza que dessa vez era para sempre, algo me dizia, os sinais estavam claros, era uma despedida e isso me doía.
E ficamos ali sozinhos. Eu, os carros, a rua, as pessoas e o bilhete.
Natália Vasconcelos