sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nesses dias

    Falta muito pra eu chegar, fora o tempo que já passou e o tempo que perdi, contando os sinais vermelhos que vou pegar, fora também o trânsito enlouquecedor e a sombra que insiste em  aparecer sempre nesses dias. 
     A chuva que cai. E essa mesma chuva ou essa mesma água que molha ou até mesmo o chão molhado molha. Fora tudo que ainda falta pra assimilar, tudo que tem que ser dito e entendido. Fora o caminho que ainda tenho que achar, pois estou verdadeiramente perdida, andando numa corda fina de um abismo.
     Fora o teu olhar pesado, juntamente com aquele piscar lento, deixando um suspense no ar. Aquele teu andar manso, teu jeito de mexer os cabelos e movimentar docemente os lábios, frescos como a madrugada e insaciáveis como a morte. A forma como encara o chão, como se ele te socorresse, como se ele fosse o único meio de tirar daquela confusão toda. Tentar decifrar-te, em cada gesto.
      Falta o mundo. Ou será que eu falto a ele? in hoc signo vinces!


Natália Vasconcelos

Tudo ao mesmo tempo

E esse vazio nunca me foi tão grande. Mas não é um vazio de perda, pelo contrário, é um vazio de ganho, de alívio, de aceitação. Então por que "vazio"? 
Vazio de saber que agora aquilo teve fim, vazio de não ter mais sonhos, falo de vertigens palpáveis. 
Vazio por não ter aquela certeza ou por ter certeza demais, por sentir uma sensação de confiança nunca vivida nesses quase 3 anos.Vazio por não estar cheia, essa é a verdade. Vazia por não ter mais uma razão para viver ou melhor, por uma razão "de viver". 
Esvaziou o tudo. Esvaziou porque tinha que esvaziar, preencheu porque tinha que preencher, adicionou-se esperança  quando se era hora, mas a roubou no mesmo instante. 
Pensei em ir, pensei em ficar. E continuo aqui... pensando, vazia e só. Não vou dizer nada, não há nada pra ser dito. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.

Natália Vasconcelos