domingo, 7 de novembro de 2010

Devaneios

Como quem se despede do dia
veste-me deusa
Usa-me para tudo que de mim achares princípio
Tira-me a vida, abandona-me nesse frio.

Sinto por dentre às tuas vestes
Esse calor, esse pudor reprimido
Eis o desalento de viver
Falso turbante embalsamado. 

Expõe essa relva que abita o nós
Esse sol, água dos mares
E a prosa, e o toco, e o traço
Orvalho debutante à espera do sino.

Sultilidade eloquente, âncora do teu cais
Amarga por inteiro
Toda a objeção que prosseguir
Sendo essa, semente dos céus.

Natália Vasconcelos