Deitou ao meu lado na cama.
Lembrou-me da data, palavras nos faltaram.
Segurou a minha mão e mudou de posição,
De modo que agora pudesse olhar-me diretamente e fixamente.
Só havia nos dois.
Pobre alma apaixonada!
Entregou-se aos desejos carnais,
Aos desejos que a tanto pulsavam no peito,
Que a tanto gritavam por liberdade.
Ah, pobre criança!
Que hoje sofre por um amor não correspondido,
Porém se questiona se será esse mesmo o rumo da sua vida.
Se já não deseja mais,
Se em outros braços está a dormir- o que não quero acreditar
Porque retornas a este amor bandido?
Porque te satisfazes com a loucura do outro?
Oh, anjo divino!
Não me deixes nunca mais,
Ou se queres- assim como o sol
Desfrutar da imensidão do horizonte,
Peço-te, com todo o amor que possa existir nesse mundo
- meu mundo, teu mundo!
Voa e desaparece no céu (...)
Enquanto a vida ainda é possível.
Natália Vasconcelos
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