quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Teu

E só te de olhar o céu já vem em mim.
Mesmo que de longe assim, quieta, mansa...
Senti que minha presença a tocou,
Sinto que pude transmitir o meu encanto, embora não todo.
Este que há tanto domina meus pensamentos,
E que realmente me causa torpor.
Magie! Outro mundo, outro tempo.
Se é que ele existe, resiste à nossa procura.

Olhar firme de quem sabe o que quer e sabe o que sente.
Prosseguido de uma afeição cabisbaixa,
Como quem quer deixar aquele ponto de interrogação no ar,
Como quem quer mexer, seduzir, confundir.
Ou até mesmo fugir de tudo aquilo: "Aquilo" porque não tem definição,
 E nem sei se sou capaz de tal.
Visto que até mesmo Nietzsche não definia em suas mais brilhantes obras,
Por chamar a definição em si das coisas um "engano do ideal".
Então poderia eu chamar "aquilo" de engano?
Deixa-me viver aos poucos,
Experimentar momento à momento
E crer cegamente.
O fascínio ainda existe, a dúvida ainda persiste
E esse sentimento ainda inibe.


Natália Vasconcelos


Nenhum comentário:

Postar um comentário