segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eu não sei o título

Eu não vou ter um futuro, ou pelo menos não quero ter. Eu não presto, eu não sirvo pra nada, nem mesmo pro perverso, pro infausto, pro fajuto.
Eu tenho preguiça pra tudo, eu não faço nada direito, nada certo. Eu não sei andar, correr, buscar, estender.
Eu tenho medo de tudo. Todos eles me perseguem, nada da certo pra mim. Eu não tenho foco, não tenho qualquer objetivo que seja ou posso até ter, mas caminho de forma adversa a tal. Eu não tenho noção!
Só faço besteira, só falo coisas sem nexo. Não tenho amigos e caso me vejam acompanhada de algum suposto, são apenas pessoas contratadas para a minha diversão cotidiana e que quando intediantes são logo postas pra fora, sem direito a FGTS ou assinatura na Cateira Trabalhista.
Minha vida é um lixo. Não tenho vigor, embora jovem, pra seguir sozinha. Estou sempre triste pelos cantos, pensando em/no lixo. Às vezes alegre, mas logo em seguida triste novamente e se pelo menos todo esse sofrimento e essa angústia servissem pra alguma coisa útil... mas são abstrações que cultivo dentro de mim, dentro dessa estrutura óssea pesada e podre. Então como poderiam ser benéficas ou muito menos expostas? Sinto-me, muitas vezes, a caixa entregue por Zeus à Pandora, segundo a mitologia grega. Tento encontrar a tal esperança que sobrou no razo, mas diante dos males do mundo e da pobreza do minh'alma, eu realmente não encontro.
Só tenho más companhias.Tenho um certa e descarada preferência pelo o que não presta e isso sempre, sempre me despertou um interesse. Choro por quem não mereçe. Trato mal as pessoas que amo. Julgo baseada em pré-conceitos. Faço coisas e digo que não faço. Sou hipócrita, falsa, mentirosa. Não confiem em mim!
Não quero passar muito tempo aqui, não faço questão de me torturar tanto. Daqui a pouco isso acaba, todo o mistério será revelado e ao reino dos céus eu voltarei.

Natália Vasconcelos

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